Paróquia Santa Rita de Cássia

A Igreja Santa Rita de Cássia de Fernandópolis é um patrimônio arquitetônico e cultural de grande valor histórico e tem grande dimensão religiosa na comunidade. É um lugar que evoca fé, religiosidade, arte, cultura e tradição. É a Igreja Matriz, testemunho da formação de Fernandópolis e também, referência do centro da cidade.
Praça da Matriz
O agrimensor Posela Segundo foi quem fez o traçado da vila Pereira. Em seu memorial des¬critivo de 1957, registrou que: “Deixamos duas praças esquadrejadas (Matriz e Jardim), determinando o eixo de orientação do traçado das ruas”
Planta de Vila Pereira, com as duas praças (Matriz e Jardim), definidas por Posela Segundo. Fonte: Jornal Folha de Rio Preto, 1942. Arquivo do CDP/FEF


O Cruzeiro na Praça Joaquim A. Pereira em 1945 Fonte: CDP/FEF.
Elevação do Cruzeiro -Símbolo da religiosidade: o Cruzeiro e o sentimento de “pertencimento”
Joaquim Antônio Pereira em 22 de maio de 1939, ordenou a derrubada da mata e, em lugar previamente escolhido, onde é hoje a Praça da Matriz, em 1939, fez erigir o Cruzeiro, que é símbolo da religiosidade: ele dá o sentido de comunidade, o sentimento de “pertencimento”. Os católicos se apropriam desse campo simbólico como para dizer que “agora esse espaço é cristão”. No mesmo dia, 22/05/39, foi rezada a primeira missa, provavelmente, pelo padre Izidoro Cordeiro Paranhos de Bálsamo. Hoje, esse dia é de veneração à Santa Rita de Cássia e data comemorativa do aniversário de Fernandópolis.
A Capela
Em 1941, foi construída a capelinha em honra à padroeira da Vila Pereira - Santa Rita de Cás¬sia -, da qual o fundador Joaquim A. Pereira era devoto.

Capela Santa Rita de Cássia, na Vila Pereira. Fonte: Scheffers, 2007, pg 67
PEDRA-FUNDAMENTAL da Igreja Matriz em 1952
A pedra fundamental se encontra “enterrada” embaixo da rampa de entrada do lado esquerdo de quem chega à igreja. Ali também estão “enterrados” alguns objetos como jornais, nomes das autoridades da época. Lançamento da pedra-fundamental da Igreja Matriz. 1952. (a construção já havia iniciado em 1949).

Fonte: “Fernandópolis, Nossa História, nossa Gente”, 2012, p. 672. CDP/FEF

Local da pedra fundamental – rampa, à esquerda. Fonte: Foto e acervo de Larissa de Matos Malacrida.
MAQUETE ORIGINAL DA IGREJA
Padre Arthur Horsthuis, vigário da Paróquia de Fernandópolis (1954 a 1958) “sonhando” ao lado da maquete original da igreja.
Maquete Original e obras da construção da Igreja de Santa Rita de Cássia. Fonte: Acervo de Antônio Rubens de Gênova. Fonte: Scheffers, 2007, p. 6


O alicerce da igreja Matriz sendo construído em torno da primeira capela. Motivo: não mudar a igreja de lugar para não dar azar. ( crendice popular) Fonte: Aparecida Piva Fioravante (acervo pessoal)

Parte do traçado ornamental acima da porta principal da igreja, onde se vê o Ir. Lamberto, desenhista da planta da igreja de Fernandópolis. Fonte: Scheffers, 2007

Templo de estilo Românico. A Matriz de Fernandópolis tem um estilo arquitetônico românico e o uso de muitas técnicas de construção de influência holandesa, já que foi construída pelo Irmão Lamberto , religioso holandês e “construtor de Igrejas”. O estilo românico se caracteriza por apresentar construções sólidas, muitas vezes feitas em pedra; horizontalidade, isto é, não possui estruturas muito altas; paredes grossas; interior pouco adornado. |Por isso eram chamados de “fortalezas de Deus”



A TORRE
O Globo e a Cruz, que identifica a Igreja de longe e sinaliza o centro da cidade, tem toda uma simbologia:
- O globo: representa o mundo (o planeta terra);
- A cruz: significa que a igreja católica está presente em todo o mundo.
Registro da torre e de um operário por ocasião da reforma da Igreja em 2010.

Fonte: Foto e acervo pessoal de João C. Bofo.
Visão geral do interior da Igreja

Fonte: Arquivo da Igreja Matriz.

Fonte: Arquivo da Igreja Matriz.
PISO
Padre Eusébio iniciou uma campanha junto à comunidade para a aqui¬sição do piso, em 1960.
a) Simbologia do piso: As lajotas do piso do corredor central da igreja representam a Cruz de Cristo contornada pela coroa de espinhos de Santa Rita. O piso central de ladrilhos é único e feito exclusivamente para a igreja; provavelmente importado da Holanda.

b) Piso central, detalhes da simbologia do piso: “a passarela com a Coroa de espinhos de Cristo é igual a que Santa Rita carrega nas mãos; a cruz, os pequenos lírios e o restante do piso é todo de Coroas de espinhos estilizadas”. (Prof. Antônio Gênova)


Fonte: Foto de Marcos Oliveira, de 2017, do acervo de Gilson Severino Carósio.
FORRO DE MADEIRA
O FORRO DE MADEIRA da igreja é arredondado e todo ele feito em encaches, sem o uso de pregos.
“Os andaimes foram trazidos do Córrego do Gaia (localizado antes da Brasitânia), da fazenda da família Brigo, que os cederam. Os Brigo tinham, na propriedade, uma grande mata com árvores gigantes – os troncos tinham entre 15 e 16m -, que foram utilizadas como andaimes por causa da altura da igreja”.
OS VITRAIS
Os vitrais foram colocados no período em que o padre Eduardo foi vigário. (1967/76). São de acrílico e permanecem até hoje nas janelas laterais da igreja. A rosácea com a representação de Santa Rita foi trocada em 2008 por um novo vitral (de vidro). Vitral da Igreja Matriz: rosácea com a representação de Santa Rita.

Fonte: Acervo do fotógrafo Jean Ricardo Candido Rosa.

O altar mor e o Cristo Fonte: arquivo da Igreja Matriz.
No início o altar-mor era uma mesa de madeira, onde o celebrante rezava a missa, casamentos e administrava outros sacramentos.
O altar-mor foi construído na época do vigário Pe. José Jansen, que mandou trazer o mármore da Bahia. Ele orientou construir da maneira que vemos hoje para celebrar a missa de frente para o povo. No início da década de 60, o altar-mor já havia sido construído.
O altar de mármore (a mesa) é composto de duas peças únicas: a mesa e o suporte. É um altar fixo, conforme as exigências da Igreja. Foi transportado de trem até Fernandópolis, e da estação ferroviária até o centro da cidade precisou de uma “composição” de dois carros de bois que tiveram muita dificuldade de passar no trecho de baixada perto da Santa Casa, demandando esforço e habilidade para superar o problema. Essa dificuldade de transporte da pedra do altar se deve ao fato de que ela é inteira sem nenhum corte: ela veio num vagão de trem e foi extremamente difícil retirá-la do vagão e encontrar um meio de transporte pra carrega-la. Os caminhõezinhos a manivela na época não aguentavam, nem as carroças. A estação ferroviária ficava fora da cidade, a avenida era de terra batida com muitos obstáculos e a pedra não podia sofrer solavancos...a única alternativa foi usar dois carros-de-bois pra transportá-la sem o perigo de danificá-la.
ESCULTURA DO CRISTO
Em relação à escultura do Cristo que está no altar, tradicionalmente, há uma versão corrente entre os fiéis sobre o local onde ela foi esculpida: na Holanda, provavelmente porque os padres assuncionistas que dirigiam nossa paróquia eram holandeses. “a escultura de Cristo, de um homem magro, rosto bem fino, pés e mãos grandes, enfim, um corpo esquelético, pode até ter sido esculpida representando o homem brasileiro que povoa, ainda hoje, o imaginário do europeu”. Quando a escultura foi colocada no altar da igreja, ela desagradou a muitos fiéis.
Foi um padre da paróquia quem encomendou a um escultor, que morava na Holanda, a escultura em bronze da imagem de Cristo, mas que tivesse características brasileiras. Quando a escultura foi colocada no altar da igreja, ela desagradou a muitos fiéis, pois o acharam feio por ser magro, ter grandes entradas na cabeça, mãos e pés grandes e calejados Como ele não conhecia o Brasil, o escultor se baseou nas obras de Portinari e no seu próprio imaginário sobre o homem brasileiro. Só depois que o padre explicou aos fiéis que o Cristo tinha características brasileiras é que as pessoas passaram a aceitá-lo e admirá-lo. Nos chama a atenção o tamanho cruz que ficou muito grande em relação ao Cristo. “a cruz do Cristo no altar é de madeira e foi feita em Meridiano pelo sr. Massom”, portanto, em local diferente do Cristo. “muitos fiéis criticaram e não gostaram como ele fez, porque a cruz ficou muito comprida, mas tiveram que aceitá-la mesmo assim”.

Fonte: Foto e acervo do prof. Antônio Rubens de Gênova



Fonte: Acervo pessoal do fotógrafo Roberto Miranda.
VIA SACRA
Um dos destaques das paredes internas da Igreja são as pinturas representando a Via Sacra.
Relata André Pessuto: ele (o pintor) residia no salão de meu avô Bernardo Pessuto. Ele apresentava um hábito noturno de pintura, pois encontrava inspiração no silêncio da noite. Há relatos de que uma historiadora francesa que esteve em Fernandópolis durante a construção da Usina de Água Vermelha (CESP) defendeu tese de que Péricles pintou a Via Sacra alcoolizado. Por isso as imagens, além de carregar o lamento da dor, também carregam traços e expressões distorcidas, dando sensações de embriaguez. Me lembro de algumas histórias que meu avô contava, de que Péricles gostava de um bom vinho e que, semanalmente, meu avô repunha o seu garrafão.
Essa situação também é relembrada por prof. Toninho: “Peres pintou a Via Sacra e “A caminhada do povo de Deus”, na caminhada do povo desde os profetas até Cristo que está na nave. Ele era alcoólatra, estava sempre bêbado e estava “vivendo” problemas familiares. Ele desenhou muitas vezes alcoolizado e era ele mesmo que preparava as tintas, as cores e usou pouquíssimo vermelho porque não gostava da cor; só era vermelho o manto de Abraão (o 1º da caminhada) e o Cristo (o último da caminhada).” E confirma: “na década de 70, a esposa de um dos engenheiros da CESP, estudiosa em arte, ao conhecer as pinturas, fotografou todas em preto e branco e desenvolveu um trabalho minucioso com as imagens. Concluiu que as imagens pintadas por Peres se encontravam com as pálpebras caídas, inclusive o Cristo, e os lábios muito claros, características de todo bêbado. Ela concluiu que o pintor retratou seu próprio sofrimento no rosto de cada um, sem querer. Elas foram produzidas pelo pintor J. Peres, de Tanabi algum tempo depois de terminada a Igreja. À época da reforma da mesma em 1998, o fundo das pinturas (não as figuras, que continuam originais) foram restauradas por Cleber e Gislaine (os nomes desses artistas estão assinados na parede do presbitério, ao lado do altar). A VIA SACRA fotografada por Roberto Miranda, Via Sacra – as 14 estações.
FAIXA DE PEDRAS
um dos destaques na parte externa da igreja é a faixa de pedras colocadas em toda sua volta e que não estava no projeto inicial. Segundo Joaquim Melero: “em volta da igreja foram assentadas as pedras porque os tijolos ali colocados começaram a se decompor e, para não tirar tudo, a única solução foi revestir com essas pedras resistentes”.

Fonte: Acervo do fotógrafo Jean Ricardo Candido Rosa.

Faixas de pedras nas paredes e escadas externas da igreja. Fonte: Foto e acervo de Larissa de Matos Malacrida.

Faixas de pedras e portas na entrada principal da igreja. Fonte: Foto e acervo de Larissa de Matos Malacrida.
A luta pelo Santuário
RELIQUIA DE Santa Rita de Cássia
a) Um pedaço do seu manto e se encontra no altar da santa
b) Há anos, a Paróquia de Santa Rita de Cássia enviou um ofício à Congregação Santa Rita, sediada na cidade de Cássia (Itália), solicitando uma relíquia de Nossa Senhora. Atendido ao pedido, o vigário padre Natalinho organizou uma excursão para a Itália que contou com a participação do padre Luciano e um grupo de católicos, que tinha como principal objetivo buscar a relíquia em Cássia e conhecer a igreja localizada no prédio da Congregação onde se encontra em exposição o corpo de Santa Rita, embalsamado, dentro de um caixão e envolto em uma redoma de vidro. Chegando a cidade, ficou a cargo do padre Luciano, acompanhado da guia de turismo, italiana, conhecida das irmãzinhas, buscar a relíquia no Convento e lá ficaram sabendo que era um pedaço do manto da Santa que veio num envelope lacrado para ser aberto apenas quando chegassem a nossa Igreja Essa relíquia foi apresentada aos fiéis de nossa comunidade no dia de comemoração a Santa, 22 de maio de 2020 e hoje se encontra no altar de Sta. Rita, localizado no interior da igreja.

Altar de Santa Rita de Cássia. 17 Fonte: João C. Bofo. (Acervo pessoal)